Acredite, até mesmo aqueles que te partiram ao meio também foram partidos em algum momento de suas vidas. E todos nós partiremos e seremos partidos em milhares de pedacinhos todos os dias, semanas, meses e anos. Erramos querendo amar, amamos na tentativa de não acabarmos sozinhos. Mas entre nós: viemos ao mundo sozinhos e sairemos dele sozinhos. Não importa quanto ame alguém, não importa quantos corações você tenha quebrado em sua jornada em busca do cara ou garota que te completará, porque quando achar que encontrou, no final ainda serão só dois corpos tentando de alguma forma curar o que não tem cura. Somos solitários demais e não há como vencer a solidão, apenas engana-la por um curto período.
—  Os porquês de Amélia Roswell. 
Disseram-me, quando eu tinha doze anos de idade, com cabelos longos e louros, que quando eu tivesse vinte e tantos anos, eu seria a mulher mais bonita presente em qualquer rua que fosse. Eu seria a mulher mais bonita do meu bairro. Eu seria a mulher mais bonita da faculdade e iria encontrar o cara mais bonito do planeta. Desde os doze, as pessoas me tratavam como quinquilharias e achavam que isso era suficientemente legal para mim. Eu estava sempre sendo iludida por uma pessoa ou outra. Minha mãe era um tipo de mulher que se intrometia em qualquer verbo mal pronunciado. Estava sempre do meu lado e achava errada essa mania desses loucos me elogiarem tanto, tanto, até criar expectativas que me transbordavam, às vezes. E de um tempo para cá eu criei e projetei uma certeza em minha mente, que não se relaciona a nenhum tipo de elogio que eu recebia quando eu tinha doze anos de idade. Com dezesseis, os meninos já começaram a olhar para minha bunda, e eu, que sempre queria ser simples e despercebida, me sentia constrangida com olhares maldosos e prazerosos. Eu sempre tive medo das pessoas. Eu fui estranha e ainda sou. Carrego pensamentos exagerados demais dentro de mim. Sou apaixonada pelo meu ego, mas outrora odeio tudo que existe em mim. Fui criada na base do sol quente: uma casa pequena e calorenta, escola pública com pessoas baderneiras, transporte público, suada, cabeça quente, olhos entreabertos e uma sucinta vida de merda. E até hoje eu pergunto a Deus que força danada é essa que ele me deu, e se um dia ele me respondesse, eu o mandaria acabar com o sol. Porque com o sol a vida é colorida demais e não gosto tanto de cores diversas. Sou tão apaixonada por coisas únicas que quando me apaixono mesmo, empaco. A vida é tão mais bonita nublada. O vento frio na nuca. Cabelos voando. Sem calor, sem suor. Uma cadeira e um bom café. Um livro. Um casaco quente. Mas sem sol. Calor esquenta minha cabeça, que de tão esquentada com meus pensamentos, é capaz de explodir. Saindo de sol para minha vida, que sei que nunca foi boa, certamente, vamos continuar. O que eu não queria, hoje sou. Eu nunca quis nada. Apenas um diário bonito quando entrei numa loja, e percebi que era pobre demais para ter um. E hoje o remorso é tão grande dessa vida estúpida que me dá vontade de entrar em um esgoto e morrer afogada. Porque eu não me sinto bem comigo mesma. Hoje olho para trás e vejo que não fui e nunca serei nada do que me diziam. Hoje aprendi que elogios são meras palavras passageiras. E eu vivi todo esse tempo na expectativa de ser o que me diziam ser. E o que sou hoje? Apenas a carcaça dos meus pés sofridos: dores, rachaduras, pele seca e suja. Sou desnutrida de um todo, porque a vida me fez gorda demais e eu me tornei um ser esquelético, sem conteúdo. Eu sou uma revista pornográfica: as pessoas veem o que escondemos por debaixo de roupas, e esquecem de olhar para os olhos e sentir que quem está estampado naquela melequeira toda, na verdade, queria ser o que também diziam ser. E hoje sou a mulher do balcão, que está sentada ao teu lado, esperando um convite, e eu ser direta demais e dizer que sou garota de programa e faço tal coisa por tantos reais. Hoje, eu decidi ser isso porque ninguém nunca olhou nos meus olhos verdadeiramente e me disse o que eu sou, e não o que iria ser. Porque ninguém soube olhar para os meus lábios quando eu estivesse falando, e no final de toda a minha baboseira, me pedisse um beijo confortador que me fizesse esquecer dos problemas que eu tinha quando adolescente. Porque ninguém reparou na calça bonita que minha mãe tinha comprado com tanto carinho, pois só reparavam no que tinha por debaixo dela. E eu, que sempre fui tão simples, hoje me vejo com pinturas no rosto para agradar a monstros que só pensam em penetração e traição. Hoje eu sou a escolhida, porque é despedida de solteiro. Quando na verdade tudo o que eu mais queria era está com um homem que me amasse inteiramente. E agora estou perdida entre praças, bares e boates. Estou cercada por pessoas malucas que só pensam em diversão e prazer. Pessoas que esquecem que na esquina da casa delas, tem cinco cadeiras de madeira, uns bolinhos e um bom café para começar o dia. Pessoas que passam e não reparam naquele velho que varre a calçada da pequena livraria de livros velhos, e não repara na imensidão de histórias preciosas que cada livro contém. Pessoas fúteis, cheias de desprezo e ira. Que traem. Que fumam. Que bebem. Que se concentram no chão, e esquecem do céu azul e imenso que está todos os dias sob a cabeça delas querendo ser apreciado. Estou cansada. Porque você se foi e me deixou sozinha, mãe? Sou muita pequena. Hoje vivo oferecendo-me para essa gente bizarra, que me enche de ódio no coração. Mas estou parando aqui. Deixo toda essa loucura de lado. Não quero mais um pingo de remorso dentro de mim. Não quero mais elogios futuros, quero elogios presentes. Não quero expectativas, nem traições, nem penetração, nem recordações. Quero ser só eu e sempre eu. Sem meras palavras e um par de bocas para dizer o quanto sou bonita e o quanto sou gostosa. Sem maquiagens, não sou palhaça. Só quero que vejam dentro de mim, quero que me sintam. Sintam a minha simplicidade e o meu modo de enxergar as coisas. Sintam o que estou sendo a partir de agora. E repito: sem elogios e sem expectativas. Sou nova. Quero que saibam disso: sou nova.
—  Alberto Lima.
Anônimo disse:
porque você demora tanto pra me responder?

Olha, eu tô sem tempo, mesmo. Eu respondo o mais rápido que eu posso todas as asks. Tem pessoas sendo bastante irônicas em relação a isso, e eu não gosto disso. Odeio insinuações mal interpretadas de pessoas confundindo a minha ausência com “não querer responder”. A maioria dos meus posts estão no queue, a maioria mesmo. Então raramente eu estarei online.

Desculpa se tô sendo ignorante aqui, é que aproveitei sua ask pra falar sobre isso. E parem de mandar eu fazer mais themes. Eu os faço quando tenho tempo. E obrigado mesmo a quem respeita o meu tempo, porque eu posso parecer um antissocial de merda, mas eu tenho uma vida e umas porcarias que infelizmente tenho que frequentar. E referente as asks de pessoas que estão usando os meus themes, obrigado de verdade a quem avisa. Eu não respondo todas, mas ainda assim respondo. Desculpa, a irritação às vezes é maior.

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